Síndrome do jaleco branco: o que é e como amenizá-la?

Síndrome do jaleco branco: o que é e como amenizá-la?

Yasmim Mayumi Marketing Médico

Leia em 6 min.

Última atualização em 16/05/2022 por Yasmim Mayumi

A síndrome do jaleco branco causa hipertensão pontual nos pacientes com fobia irracional de médicos, profissionais de saúde e ambientes médicos, entre outros sintomas como tontura e náuseas.

Conhecida como iatrofobia ou latrofobia, do grego “iatrós” que significa médico, a síndrome do jaleco branco foi identificada em 1980, segundo registros da Universidade da Califórnia. 

O médico Stanley Franklin, professor da Universidade da Califórnia e especialista em doenças cardiovasculares, estima que uma em cada cinco pessoas sofrem com a síndrome, segundo seus estudos nos EUA.

Essa síndrome se refere a pessoas que, ao precisarem de atendimento médico, apresentam um medo irracional, não apenas de médicos, mas também do ambiente hospitalar, clínicas e consultórios, além de objetos relacionados.

Ela afeta tanto crianças quanto adultos. Cada pessoa pode apresentar sintomas diferentes, o que dificulta seu diagnóstico e a ação do médico sobre qualquer problema de saúde que ela venha a apresentar.

Hipertensão pontual, tremedeira, tensão muscular, náuseas e agitação são alguns dos sintomas apresentados e quando a síndrome não é tratada, pode piorar ao longo do tempo.

Como esse medo impede que os pacientes busquem assistência médica e mesmo quando são atendidos, não conseguem realizar os exames sem alterá-los devido à ansiedade, é preciso saber como combater a síndrome.

Neste artigo você vai aprender:

O que é a síndrome do jaleco branco?

Hipertensão do jaleco branco, iatrofobia, latrofobia, todos esses nomes se referem a síndrome do jaleco branco, a fobia irracional de ambientes que remetem a hospitais e clínicas, bem como os profissionais de saúde.

Esse transtorno psicológico é classificado na categoria de fobia e as pessoas que sofrem dessa síndrome não conseguem controlar seu corpo ao se consultarem com um médico, sofrendo crises de ansiedade.

O gatilho que desencadeia esses sintomas podem ser a figura do médico, o ambiente da clínica e até mesmo objetos como agulhas. Esse medo aparece mesmo quando o paciente sabe que não há perigo.

Assista nosso vídeo para saber como lidar com pacientes que apresentam comportamentos difíceis:

Principais causas da síndrome do jaleco branco

As causas da síndrome do jaleco branco são psicológicas, relacionadas a associação da imagem do médico e ambientes hospitalares a morte, doenças, e é conhecida como uma patologia multifatorial.

Veja a seguir uma lista das principais causas:

  1. Experiência negativa/traumática com profissionais de saúde e ambientes hospitalares;
  2. Medos relacionadas à infância, como remédios, injeções e agulhas;
  3. Erro médico que resultou em um tratamento doloroso para o paciente;
  4. Vícios em bebidas alcoólicas ou drogas.

De forma inconsciente, a pessoa relaciona a ida ao médico a alguma experiência traumática, o que gera o quadro de sintomas da síndrome.

Os traumas podem ser aqueles relacionados à infância, em que a imagem do médico é muito associada a injeções, agulhas e remédios com gosto ruim.

O quadro se agrava ainda mais quando o paciente passa por experiências negativas no ambiente hospitalar, como a perda de um familiar.

Um paciente que fez um tratamento médico doloroso ou que sofreu com algum tipo de erro médico, seja com ele ou com pessoas próximas, pode também desenvolver essa síndrome.

Além disso, a síndrome pode acontecer com pessoas dependentes de bebidas alcoólicas ou drogas, principalmente aquelas que apresentam resistência ao abandono desses vícios.

9 principais sintomas da síndrome do jaleco branco

Ainda que seja um problema causado pelo psicológico, os pacientes que apresentam a síndrome do jaleco branco podem sofrer de sintomas físicos.

Ao identificar os sintomas, você proporcionará um atendimento mais humanizado aos seus pacientes, compreendendo a melhor forma de ajudá-los.

Saiba quais são eles:

  1. Hipertensão pontual: em outras situações, o paciente apresenta níveis normais de pressão arterial, mas essa se eleva quando é um médico que está fazendo a aferição, o que pode ter como consequência um diagnóstico errôneo;
  2. Tremedeira;
  3. Suor excessivo;
  4. Suor frio;
  5. Tontura;
  6. Naúseas;
  7. Taquicardia;
  8. Tensão muscular;
  9. Descontroles emocionais antes ou durante as consultas.

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Como identificar a síndrome do jaleco branco?

Cada vez que o paciente precisa de atendimento médico, seu quadro de ansiedade se altera, levando ao adiamento de consultas e à automedicação, o que traz grandes riscos à saúde do paciente.

Para identificar a síndrome do jaleco branco, o paciente deve apresentar uma pressão arterial superior a 140/ 90 mmHg pelo menos três vezes consecutivas nas consultas, porém, pressão arterial normal quando medida diversas vezes em casa.

5 formas de amenizar os problemas da síndrome do jaleco branco nos pacientes

É responsabilidade do médico ser capaz de identificar a síndrome do jaleco branco e aprender como amenizar esses problemas, para que possa proporcionar os tratamentos que o paciente precisa.

Para isso, existem algumas formas de diminuir os sintomas da síndrome, deixando o paciente mais confortável e criando uma relação de confiança com o médico.

Separamos aqui algumas dicas práticas que você pode começar agora mesmo na sua clínica. 🙂

1. Estabeleça diálogos não presenciais

Para que o paciente perca o medo irracional, ele precisa ser levado a sério e desenvolver um sentimento de confiança para com o médico.

Se o problema é o ambiente hospitalar, o consultório ou o jaleco branco, a melhor forma de amenizar os problemas da síndrome é retirar esses fatores.

Busque outras formas de se comunicar com o seu paciente — diálogos não presenciais podem ajudar a retirar a imagem de médico criada pela pessoa.

Troque mensagens com seus pacientes, descubra como eles se sentem mais confortáveis em falar dos seus problemas. A Teleconsulta pode ser uma ótima solução, por exemplo.

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2. Realize atendimentos presenciais mais descontraídos

Quando houver a interação presencial, busque formas mais descontraídas de fazer o atendimento. 

Inicie a consulta quebrando o gelo, conversando sobre assuntos diversos, não é necessário ir direto ao ponto. 

Quanto menos metódica e mais dinâmica for a consulta, mais confortável o paciente irá se sentir.

Se possível, realize o atendimento em locais diferentes que não lembrem hospitais e clínicas. É possível personalizar esse espaço caso tenha uma clínica própria. 

Outra dica é atender sem o vestuário médico tradicional, é um pequeno detalhe que pode fazer toda a diferença para o paciente que sofre com essa ansiedade.

3. Ofereça técnicas de relaxamento

Como estamos falando de ansiedade, ensinar ao paciente técnicas de relaxamento pode ser fundamental para que você consiga fazer a consulta e buscar o melhor tratamento para seu paciente.

Técnicas de respiração tendem a amenizar estados de ansiedade, aliviando os sintomas e reduzindo o medo que os pacientes estão sentindo no momento

Assim, o médico pode seguir com a consulta, oferecer um diagnóstico correto e proporcionar ao paciente a melhoria na saúde que ele precisa.

4. Permita a companhia de uma pessoa amiga durante a consulta

A maioria dos pacientes que sofrem com ansiedade se sentem mais seguros com uma pessoa amiga por perto. Ela pode ajudar apenas estando perto ou segurando a mão do paciente.

5. Proponha terapia em grupo

Em casos mais sérios, você pode ajudar o paciente a encontrar grupos de terapia para que os sintomas possam ser tratados e amenizados

As terapias fazem o paciente perceber que mais pessoas compartilham do mesmo problema.

O diálogo é um dos principais elementos para que a síndrome seja reduzida. 

Além disso, os profissionais que estão dando a terapia precisam encontrar formas de mostrar àquele paciente a importância do tratamento médico e os perigos que a síndrome pode causar.

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Riscos da síndrome do jaleco branco não tratada

Essa síndrome pode trazer consequências graves – além da dificuldade para o médico em tratar esses pacientes, pois há o adiamento das consultas, mesmo quando é necessário o tratamento urgente.

Evitar exames e contato com médicos fazem com que os pacientes busquem outras formas de tratar a doença, o que pode resultar em aumento de automedicação.

Por esse motivo, é de extrema importância que os médicos busquem diferentes técnicas para que esses pacientes não deixem de ser atendidos e consigam o tratamento adequado para seus problemas.

A síndrome do jaleco branco pode ser algo imperceptível e os médicos precisam de atenção extra aos sintomas, para que não passem nenhum diagnóstico errado ao paciente que já enfrenta traumas. 

Ter um bom relacionamento com o paciente é essencial para que ele possa ser tratado com a qualidade que merece.

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Sobre o autor

Yasmim Mayumi

Especialista em Marketing de Conteúdo, atua como analista de conteúdo há mais de 3 anos na iClinic. Graduanda em Letras - Licenciatura em Inglês e Português na Barão de Mauá em Ribeirão Preto.