7 principais impactos dos robôs na área da saúde

7 principais impactos dos robôs na área da saúde

Yasmim Mayumi Tecnologia na Saúde

Leia em 9 min.

Última atualização em 26/07/2021 por Yasmim Mayumi

Os robôs na área da saúde conseguem realizar cirurgias, navegar por um organismo humano, coletar sangue, recepcionar pacientes e promover mais segurança durante os tratamentos.

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Os robôs não são uma inovação distante, existente apenas em ficção científica. Eles já fazem parte da nossa realidade há muito tempo, desde drones que entregam encomendas, até cirurgiões-robôs.

Segundo a Zion Market Research, os investimentos globais em robótica na Medicina irão crescer cerca de 20% em 2025, e podem atingir 24,6 bilhões de dólares.

É fato que os robôs nunca substituirão os profissionais de saúde. Mas médicos que têm conhecimento em robótica e sabem como utilizá-la, substituirão os profissionais que não atualizaram suas habilidades.

Para não ficar atrás da concorrência e oferecer a melhor experiência aos seus pacientes, continue a leitura!

O que são os robôs na área da saúde?

Ao pensar em robótica, diversos profissionais lembram de obras como Star Wars, que apresentam cirurgias realizadas por robôs (cena de Anakin Skywalker), ou Big Hero, com o Baymax, o robô cuidador.

Apesar dessas tecnologias já existirem, é importante lembrar que a robótica vai muito além de máquinas que imitam pessoas, e podem estar presentes em softwares médicos, inteligências artificiais, entre outros.

Um ótimo exemplo são os micro robôs, capazes de navegar pelo nosso organismo, liberar fármacos e combater doenças como o câncer.

É o caso dos micro robôs desenvolvidos por engenheiros biomédicos em 2017, na Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos.

Eles transportam um antibiótico para tratar uma úlcera provocada pela bactéria Helicobacter pylori em camundongos, usados para testes laboratoriais. 

Ao chegar no estômago, os micro robôs compostos de magnésio e quitosana, liberam microbolhas que ajudam na dispersão, enquanto a quitosana retém o fármaco na mucosa do organismo. 

O magnésio auxilia no controle da acidez estomacal, aumentando a potência do antibiótico. 

Todo o processo reduz os efeitos colaterais vistos normalmente em drogas de farmácias, que não são personalizáveis para cada paciente.

Apesar de não ser um cenário comum no Brasil, é provável que, em breve, os pacientes possam ingerir micro robôs criados especialmente para seus organismos, ao invés de tomarem drogas genéricas.

Assista ao vídeo abaixo para entender como micro robôs magnéticos funcionam na prática:

Além de oferecerem um tratamento mais eficiente, eles também aumentam a segurança e a qualidade da assistência médica, o que consequentemente ajuda todo o sistema de saúde.

O estudo do UNA-SUS traz diversos exemplos do uso da robótica durante a pandemia de COVID-19, como robôs que fizeram entregas de alimentos para pacientes infectados pelo Sars-CoV-2.

Na Romênia, um hospital possui funcionários robôs para realizarem tarefas como desinfecção de locais com raios ultravioletas, o que impede o risco das pessoas se infectarem.

O robô enfermeiro Tommy do hospital de Lombardia, na Itália, verificou sinais vitais de pacientes com COVID-19, e transmitiu as informações para a equipe de profissionais de saúde por mensagens.

No Brasil, um robô de Telepresença no Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, evitou a exposição dos profissionais aos pacientes infectados

Incríveis provas de como os robôs ajudam positivamente o sistema de saúde, não acha? 🙂

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Qual a importância dos robôs na área da saúde?

Existem milhares de benefícios em integrar a robótica no dia a dia dos médicos, desde que essa implementação seja feita de forma ética e responsável.

É essencial que, para aproveitar ao máximo as inovações tecnológicas, códigos de ética e regulamentos sejam produzidos, a fim de assegurar proteção para profissionais de saúde e pacientes.

Entre as principais vantagens do uso de robôs na área da saúde, é possível enfatizar:

  • Redução de riscos cirúrgicos, infecções, sangramentos e sequelas, como cicatrizes, devido à precisão dos robôs-cirurgiões, controlados por um médico que está confortavelmente sentado, ao invés de exausto após longas horas na cirurgia;
  • Recuperação mais rápida pelos pacientes que passam menos tempo internados;
  • Melhor qualidade das imagens durante os procedimentos, devido às microcâmeras dos robôs e visão em 3D e HD;
  • Democratização do acesso à saúde, uma vez que os pacientes podem ser atendidos a distância por meio dos robôs, e até mesmo passarem por cirurgias;
  • Ergonomia de alta qualidade para o cirurgião, que consegue realizar um procedimento de forma mais segura e precisa com a ajuda dos robôs;
  • Melhor experiência para os pacientes, que além de contarem com o atendimento humanizado dos profissionais de saúde, também contam com o melhor da tecnologia;
  • Procedimentos menos invasivos, com cortes menores e mais precisos, que também são prevenidos contra tremores, já que os robôs não tremem como as pessoas;
  • Clínicas mais modernas e atrativas, que passam a contar com a ajuda dos robôs para tarefas como recepcionar pacientes, auxiliar em atividades mecânicas e repetitivas, entre outros;
  • Aumento do auxílio para todos os médicos, seja em um consultório ou em um hospital, pois terão o apoio de robôs em atividades diárias.

Todos esses benefícios mudam completamente a Medicina como conhecemos hoje.

Centros de treinamento como o IRCAD América Latina, treinaram mais de 8.500 cirurgiões para atuarem com robótica, formados apenas na unidade de Barretos, interior de São Paulo, nos últimos 7 anos.

Nos próximos anos, o número de cirurgiões especializados em robótica crescerá cada vez mais, e aqueles que não acompanharem essa atualização, ficarão para trás no mercado de trabalho.

Para se atualizar e aprender como agradar o paciente digital, assista ao vídeo abaixo:

Como os robôs da área da saúde funcionam?

A verdade é que cada robô funciona de uma maneira singular. Como vimos em alguns exemplos, um robô pode ter a finalidade de realizar entregas para pacientes, enquanto outro mede os sinais vitais.

Características comuns em todos eles são o uso de tecnologias avançadas, construção em conjunto entre desenvolvedores e profissionais de saúde e, em alguns casos, inteligência artificial.

Para conhecer mais o funcionamento de cada um, veja a seguir os 7 principais robôs da Medicina.

7 robôs da área da saúde que estão mudando a nossa realidade com seus impactos

Robô Da Vinci, Laura, Pepper e Robear: quais são as inovações que estão revolucionando a Medicina? Descubra quem são eles e quais são seus impactos no seu dia a dia.

1. Robôs-cirurgiões

Na década de 1970 foram criados dispositivos endoscópicos que forneceram imagens ampliadas e nítidas para enfermeiros e médicos assistentes que passaram a ter a mesma visão que o cirurgião.

Essa inovação permitiu uma melhora significativa nas cirurgias, e hoje é impossível imaginar um hospital sem essa tecnologia.

A história dos robôs-cirurgiões começa em 1988, no Hospital Broussais em Paris, com Alain Carpentier e Didier Loulmet, responsáveis pelas primeiras cirurgias com o uso da robótica.

Atualmente, também contamos com a modelagem computacional e simulação de realidade virtual, que treinam cirurgiões no pré-operatório de um paciente, ou ajudam no processo de ensino de um residente.

Pela primeira vez na história da Medicina, os estudantes podem realizar cirurgias como treinamento sem colocar em risco a saúde de um paciente.

Com a Telemedicina, cirurgiões conseguem operar pacientes de qualquer lugar do mundo, o que beneficia, principalmente, regiões sem acesso a especialistas.

Mas diferente do que muitos imaginam, os robôs não irão substituir cirurgiões. Afinal, são eles os responsáveis por treinar os aparelhos e que têm controle total sobre o que está acontecendo durante a cirurgia.

O Da Vinci, robô-cirurgião mais usado do mundo, presente no Hospital Israelista Albert Einstein, no Brasil, é controlado por cirurgiões que estão em uma posição confortável, e usam joystick no formato de dedais.

Robôs na área da saúde: Robô Da Vinci

Mais de 5 milhões de pacientes já foram atendidos ao redor do mundo pelo Da Vinci.

É inegável que os robôs-cirurgiões, com seus braços cirúrgicos precisos e suas microcâmeras com visão 3D e HD, serão requisito de conhecimento no currículos de cirurgiões em um futuro próximo. 

2. Robôs-recepcionistas

O robô Pepper tem 1,2 metros de altura, tem aparência similar com a de um humano, foi treinado para ser sociável e já atua como recepcionista no Hospital Czech, na Bélgica.

Seu uso é fundamental em períodos de pandemia, que exigem distanciamento social, mas também no dia a dia comum de qualquer estabelecimento, que precisa ter atenção total no paciente.

Diferente de enfermeiras e recepcionistas humanos, os robôs não ficam cansados, conseguem armazenar milhares de dados sem confundir nenhum deles, e podem ser integrados com softwares médicos.

Pepper, por exemplo, consegue reconhecer a voz humana em 20 linguagens diferentes, saber se está conversando com uma criança, homem ou mulher, e acompanha pacientes pelo hospital para que não se percam.

Você ainda pode programá-lo para sorrir para todos os pacientes, cumprimentar todos da mesma maneira, enquanto um recepcionista humano consegue focar em outras atividades que exigem sua atenção.

Imagine ter um robô como o Pepper em sua clínica ou consultório. Um cenário incrível, não acha?

Assista ao vídeo abaixo para ver uma entrevista com o Pepper no Brasil:

3. Robôs assistentes de clínicas, consultórios e hospitais

Um robô brasileiro que está revolucionando a Medicina é a Laura, que usa sua tecnologia cognitiva para identificar e reduzir mortes causadas por Septicemia. Atualmente, ela salva 18 pacientes por dia.

O criador, Jacson Fressatto, perdeu a filha para essa doença infecciosa quando ela tinha apenas 18 dias, e decidiu criar um robô para impedir que isso acontecesse com outras crianças.

Batizada com o nome de sua filha, Laura foi desenvolvida com machine learning (aprendizado de máquinas). Ela aprende, compreende situações, conversa com pacientes e consegue ajudar profissionais de saúde.

Outra invenção brasileira é o robô Adam, criado pela startup Prevention, em Curitiba, que ajuda os pacientes com deficiências visuais. 

Ele usa inteligência artificial para identificar em, no máximo, cinco minutos, doenças oftalmológicas como presbiopia, astigmatismo, hipermetropia e miopia.

Em clínicas e hospitais do Japão, o robô Robear levanta e move pacientes com facilidade, auxiliando enfermeiras que, normalmente, precisam ajudar na locomoção de pacientes 40 vezes por dia.

Robôs na área da saúde: Robear

Além disso, a inteligência artificial também faz parte da rotina de hospitais como o Isrealita Albert Einstein, que envia por meio de dispositivos, imagens capazes de identificar problemas para profissionais.

Os aparelhos que monitoram os sinais vitais de pacientes, por exemplo, enviam os dados para o prontuário eletrônico, que podem ser acessados em tempo real de qualquer lugar do mundo pelos médicos.

Pacientes com doenças como diabetes, recebem mensagens nos celulares para lembrá-los de tomar a insulina na hora correta, indicada pelos profissionais.

4. Robôs de consultas a distância

Os robôs de consultas a distância, também conhecidos como robôs de Teleconsulta ou Telepresença, impedem que a equipe de saúde se contamine e não deixam os pacientes sem cuidado.

Em uma UTI de COVID-19 que conta apenas com profissionais humanos, a superlotação traz como consequência pacientes que não são visitados várias vezes ao dia, ou o número mínimo recomendado.

Com robôs como o InTouch Vici, que permite a comunicação entre profissionais e pacientes, checa sinais vitais, possui câmeras e fala com os pacientes, é possível aumentar a segurança de todos da UTI.

Além disso, mesmo quando a pandemia não é uma realidade, eles podem ser usados para visitar os pacientes com mais frequência ao longo da internação, sem depender apenas dos enfermeiros ou médicos.

5. Robôs-entregadores

Em algumas cidades ao redor do mundo, já é comum ver drones fiscalizando o distanciamento social ou entregando encomendas.

Na área da saúde, os robôs-entregadores conseguem entregar equipamentos médicos e medicamentos em qualquer região, mesmo aquelas de difícil acesso.

Pouquíssimos funcionários conseguem monitorar milhares de drones, e os suprimentos médicos não precisam ser entregues em horários específicos do dia, mas a qualquer momento.

O Aethon TUG Robot, por exemplo, consegue carregar 454 quilogramas, sejam elas medicamentos, suprimentos laboratoriais, equipamentos, materiais descartáveis, entre outros.

O Washington Hospital Center afirmou que, em 2019, os Aethon TUG Robots viajaram 2,974 milhas (4786.1891 quilômetros) e completaram 26,574 entregas.

Assista ao vídeo abaixo para entender como o Aethon TUG Robot funciona:

6. Robôs de experiência do paciente

Você concorda que animais fofos conseguem reduzir o estresse e ajudar no tratamento de pacientes?

Muitos profissionais de saúde já conhecem os benefícios de trabalhar com animais em terapias e momentos de redução de ansiedade com os pacientes.

Entretanto, não são todos os estabelecimentos médicos que conseguem receber animais, seja por falta de estrutura ou financiamento.

Para ajudar a solucionar esse problema, os desenvolvedores criaram robôs focados em melhorar a experiência do paciente.

É o caso do robô Huggable, que parece um urso de pelúcia e consegue conversar com crianças. 🙂

O Somnox também é outro robô, mas criado com um formato de travesseiro para ajudar pacientes com problemas de sono. Ele ajuda 75% das pessoas a dormirem mais rápido e com mais conforto.

O robô PARO é outra inovação fofa que imita uma foca bebê de pelúcia. Ele possui sensores que respondem ao toque, luz e som, criado para interagir com os pacientes e reduzir o nível de ansiedade e estresse.

Principais robôs na área da saúde

7. Robôs que tiram sangue

A maioria dos adultos já tiraram sangue em algum momento da vida. Muitos têm medo, mas quase todos precisam aguardar por um período demorado de tempo para serem atendidos.

Os robôs possuem precisão cirúrgica e mecânica, não tremem como as mãos humanas, e conseguem tirar sangue de uma maneira mais rápida e eficiente.

O Veebot, por exemplo, usa luz infravermelha e análise de imagens para identificar a melhor veia para tirar sangue, além de possuir uma assertividade de 83% ao ser comparado com um profissional humano.

Isso diminui erros na hora de tirar sangue e, consequentemente, diminui a dor dos pacientes.

Os robôs na área da saúde conseguem ajudar milhares de áreas e profissionais, trazendo melhorias na experiência do paciente e na qualidade de trabalho dos médicos.

Conhecer como eles funcionam e seus principais impactos é essencial para qualquer um que deseja atualizar sua educação médica e usar o melhor da tecnologia ao seu favor.

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Conhece outro exemplo de robótica na Medicina que não foi abordado no conteúdo? Compartilhe seu conhecimento aqui embaixo nos comentários!


Sobre o autor

Yasmim Mayumi

Especialista em Marketing de Conteúdo e produtora de conteúdo na iClinic. Graduanda em Letras - Licenciatura em Inglês e Português na Barão de Mauá em Ribeirão Preto.