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Protocolo de Manchester: o que é e como funciona?

Protocolo de Manchester: o que é e como funciona?
Leia em 6 min.

O Protocolo de Manchester é um método de classificação de riscos que prioriza os atendimentos de urgência e emergência nas instituições de saúde.

Usado em mais de 25 países, até hoje o método se mostra essencial para minimizar o problema da superlotação de unidades de saúde. 

Um estudo da Revista Eletrônica de Enfermagem discute como a priorização dos atendimentos mais urgentes auxiliam na gestão das instituições.

“o   protocolo   de   Manchester  […] além  de minimizar  o  tempo  de  espera  para  os  pacientes  com  demandas  prioritárias  de  atendimento,  a  identificação  da  demanda  […]  é  útil  para  direcionar  os  gestores  dos  serviços de urgência acerca das necessidades futuras de atendimento dos pacientes, tornando-se uma ferramenta de gestão importante.”

Neste artigo você vai aprender:

O que é o Protocolo de Manchester?

O Protocolo de Manchester é um método de triagem de pacientes que os separa levando em consideração a gravidade do seu quadro clínico. Situações de urgência ou emergência (risco de vida) são priorizadas.

Ou seja, mesmo que um paciente tenha chegado em uma unidade de saúde com uma enxaqueca há duas horas, se uma pessoa com pulmões obstruídos chegou há 2 minutos, ela será atendida primeiro.

O nome do método de triagem foi escolhido por conta da cidade no qual foi criado, Manchester. Médicos e enfermeiros de 9 hospitais da cidade, no Reino Unido, criaram o protocolo de 1994 a 1995.

No Brasil, o primeiro registro da utilização do Protocolo de Manchester aparece em 2008, no estado de Minas Gerais. Atualmente, o método é utilizado no mundo inteiro. 

Como funciona o Protocolo de Manchester?

O Protocolo de Manchester funciona por uma triagem na qual a gravidade dos casos é classificada por cores. Os profissionais de saúde devem avaliar o quadro clínico do paciente e colocar uma pulseira com a cor correspondente.

A pulseira não representa um diagnóstico, apenas mostra a identificação do nível de risco do quadro

Após a classificação, é necessário uma monitorização e reavaliação, porque a condição clínica pode agravar ou amenizar com o tempo.

Veja a seguir a classificação de cores do Protocolo de Manchester.

Esse uso de cores é importante para que os atendimentos sejam feitos no tempo que os pacientes precisam, levando em consideração a limitação de recursos da instituição, como profissionais de saúde e equipamentos.

O processo e tempo de atendimento se tornam mais previsíveis, o que facilita a auditoria, controle e avaliação dos casos da unidade e do desempenho da equipe clínica.

Para o método de classificação funcionar na prática, estes são os instrumentos mais comuns que são necessários:

Segundo as leis e normas vigentes, a equipe de enfermagem designa o especialista responsável por executar o Protocolo de Manchester. Ou seja, na maioria dos casos um profissional da enfermagem é o responsável.

Entretanto, médicos também podem ser encarregados dessa responsabilidade, dependendo da situação da instituição de saúde.

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5 vantagens em utilizar o Protocolo de Manchester

1. Diminuição da superlotação

O método de classificar os pacientes de acordo com a gravidade dos quadros clínicos auxilia na prevenção da superlotação das unidades de saúde. 

Os casos menos urgentes, por exemplo, são encaminhados para outras instituições. Assim, a unidade foca apenas nos casos de emergência e urgência, sem lotar a sala de espera.

2. Padronização do atendimento da equipe clínica

O Protocolo de Manchester é baseado em um processo organizado que deve ser seguido para todos os atendimentos, de acordo com seu fluxograma de avaliação.

Logo, a avaliação das condições dos pacientes é a mesma, independentemente de qual profissional faça. Sem essa padronização, os profissionais de saúde poderiam discordar sobre certos casos.

Além dos atrasos, discussões e intervenções, uma falta de consenso entre as equipes poderia afetar o trabalho em conjunto, algo essencial ao lidar com situações de emergência. 

Com o protocolo, há um método único a ser seguido e não há brechas para grandes discussões.

3. Redução dos óbitos

Em uma quantidade considerável dos casos, o tempo de resposta é a chave para salvar vidas. Um sistema que ajuda a priorizar quem deve ser atendido primeiro auxilia a salvar o maior número de vidas possíveis. 

4. Aumento da segurança do paciente

A segurança do paciente envolve diversos aspectos, como a qualidade do atendimento, tempo de espera, segurança das informações e experiência da equipe médica.

O Protocolo de Manchester permite que os profissionais atendam os pacientes no tempo máximo de espera, sem colocar em risco suas vidas, o que contribui para o aumento da segurança.

Além disso, com a padronização do atendimento e diminuição da superlotação, a qualidade de trabalho de todos os profissionais aumenta e o mais beneficiado é o paciente.

5. Garantia de qualidade de trabalho e satisfação do paciente

A partir do momento que o desempenho da equipe médica aumenta com a ajuda do Protocolo de Manchester, a satisfação dos pacientes também aumenta progressivamente.

Afinal, eles sabem que os casos emergenciais e urgentes serão priorizados e terão uma estimativa de tempo de quando serão atendidos.

Saiba qual é o atual nível de satisfação dos seus pacientes com nossa planilha gratuita:

Como implementar o Protocolo de Manchester nas clínicas ou consultórios?

1. Eduque a equipe da unidade de saúde

Sem conhecer o Protocolo de Manchester e sua importância, a equipe de profissionais não conseguirá valorizar e se dedicar aos resultados que o método pode oferecer.

A recomendação é que uma palestra seja obrigatória para toda a equipe, na qual será explicada para a diretoria, coordenação do setor de urgência, médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde, o que é o protocolo.

É essencial que na apresentação, seja compartilhado:

2. Capacite os profissionais de saúde

O GBCR (Grupo Brasileiro de Classificação de Risco) oferece um curso de certificação para profissionais que desejam ser classificadores do protocolo de Manchester.

O curso inclui aulas teóricas, estudos de casos clínicos e novas edições são lançadas com o intuito de atualizar o conteúdo. Geralmente a duração das aulas é de 8 horas para o curso presencial e 30 horas para o online.

Para obter o certificado, o aluno deve fazer uma avaliação e atingir pelo menos 60% de aprovação. A validade do certificado é internacional e deve ser revalidado caso o protocolo passe por uma atualização.

Caso algum aluno reprove no curso, pode tentar novamente após 30 dias.

3. Conte com a ajuda de um tutor da GBCR

Se você tem a intenção de adotar o protocolo na instituição, a GBCR orienta que entre 1 e 2 meses após a implementação, um tutor do grupo esteja presente no local. 

Um profissional certificado deve receber o tutor, que atuará como um consultor nesse período de tempo, para tirar dúvidas, oferecer conselhos e apontar inconformidades. 

O tempo de acompanhamento pode ser de 8 a 16 horas, dependendo da complexidade e demanda da unidade. 

Após 30 dias da presença do tutor, o GBCR apresentará um relatório com sugestões de melhoria para a diretoria da instituição de saúde.

4. Invista na capacitação de auditores internos

Escolher profissionais para serem auditores internos exige um curso de capacitação que visa sistematizar orientações, padronizar o método e execução do Protocolo de Manchester. 

O curso costuma ter a imersão de 6 horas e apenas quem já possui o certificado de classificador pode fazê-lo. Também é necessário ter 60% de aproveitamento na avaliação final. 

A equipe de auditoria deve ter um enfermeiro e um médico. O ideal é que as auditorias sejam feitas mensalmente. 

5. Passe por uma auditoria externa para ter um selo de qualidade

Para implementar o Protocolo de Manchester de forma completa, é necessário passar por uma auditoria externa que acompanhará a unidade ao longo do tempo.

Essa auditoria deve ser feita por 3 profissionais credenciados, sendo preciso que um deles seja médico. A avaliação ocorre em um dia útil de trabalho para avaliar os resultados da implementação.

Após passar pelo processo de qualificação GBCR e a auditoria externa, é possível receber um dos selos de qualidade:

Neste artigo você aprendeu o que é o Protocolo de Manchester, como ele funciona, quais são suas vantagens e como implementá-lo na prática. Espero que tenha gostado!

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