A inevitabilidade da Telemedicina

A inevitabilidade da Telemedicina

Dra. Sandra Franco Tecnologia na Saúde Leave a Comment

Leia em 4 min.

Ninguém deseja enfrentar horas em uma fila de banco para pagar uma conta, e muitos se recusam a sair de casa para fazerem suas compras, desde roupas até remédios. Essa realidade não é diferente na área da saúde.

Empresas têm economizado em seus negócios realizando reuniões à distância, em qualquer parte do mundo. 

Pense na quantidade de tempo que pode ser economizado com ferramentas como a audioconferência (conference calls), a videoconferência e a chamada comunicação unificada, em que estão unidos em um só lugar áudio e videoconferência, troca de mensagens, envio de arquivos e salas de Telepresença?

Os hábitos estão se modificando na sociedade de informação, marcada pela revolução digital

Na prestação de serviços em saúde não poderia ser diferente. Não há como evitar a transformação na Medicina, a qual vive essa quebra de paradigma do que antes era uma relação um a um e presencial.

Continue a leitura e descubra como você já pratica a Telemedicina no dia a dia, e como se preparar ainda mais para essa tendência da área da saúde. 

Telemedicina: por que ela é inevitável?

No dia 18/03/2020, o Ministério da Saúde lançou um projeto de lei para ser aprovado em caráter de urgência no Congresso Nacional que autoriza o uso da Telemedicina em quaisquer atividades da área de saúde enquanto durar a crise ocasionada pela COVID-19, visando a segurança de toda a população com um serviço médico de qualidade à distância.

Indo mais longe, assiste-se a um tempo em que certos procedimentos da área de saúde sequer serão realizados por humanos.

Considera-se hoje a epidemia do coronavírus como um acontecimento revelador quanto à importância da Telemedicina. Na China, as plataformas registraram uma forte procura. 

O WeDoctor, que lançou em 23 de janeiro uma seção específica para a COVID-19, afirma que, somente em fevereiro, registrou cerca de 1,5 milhão de consultas online

Com mil médicos associados, seu concorrente AliHealth garante informar mais de 3.000 pacientes por hora. O acesso oferecido aos pacientes sem que tenham de se deslocar aos hospitais é espetacular.

Já há muito tempo, ainda que timidamente no Brasil, pacientes buscam seus médicos por telefone, trocam com eles mensagens pela internet ou utilizam algum serviço como whatsapp ou Skype para orientações e dúvidas pontuais. 

Na verdade, sempre foi constante a busca de pediatras pelas mães preocupadas com o primeiro sintoma febril de seus bebês. Ou, em casos de pacientes crônicos, contatos para comunicar ao médico um novo sintoma ou mal estar.

Centros de excelência hospitalar, como o Albert Einstein, conseguem levar a expertise do médico a locais em que a falta de especialistas poderia trazer prejuízos indeléveis aos pacientes. Vários hospitais públicos hoje são assistidos pela tecnologia oferecida pela plataforma do hospital, desde a periferia de SP até o Amazonas.

No ano de 2017, em parceria com a operadora Care Plus, o Einsten iniciou um serviço de consulta médica por videoconferência, bastando que o paciente tenha um dispositivo com áudio, vídeo e conexão com internet.

A operadora AMIL lançou em 2019 um serviço de consultas médicas on line, via aplicativo. Nesse esteira, seguiram também Sul América e Hapvida, entre outros. Serviços de Telemedicina para radiologia e exames clínicos estão incorporados na sociedade com médicos laudadores muito distantes do paciente.

Inevitabilidade da Telemedicina

Pelo Brasil, há outros casos com resultados que indicam para a urgência de se normatizar a Telemedicina em todas as suas vertentes, inclusive a Teleconsulta.

Como exemplo, plataforma TelessaúdeRS é voltado aos profissionais da atenção primária ou básica de saúde (médicos, enfermeiros, odontólogos, técnicos de enfermagem, técnicos e auxiliares em saúde bucal, agentes comunitários de saúde), com TeleConsultoria, Teleducação e TeleDiagnóstico.

O serviço tem apresentado resultados bastante satisfatórios, com redução de 60% nas filas de espera por consulta por especialistas, segundo dados fornecidos pela UFRS.

Segundo a instituição, com dados de 2018, o tempo de espera para consultas caiu 70% na endocrinologia, 89% na pneumologia, 90% na neurologia e 68% na reumatologia.

Pela resolução nº 1.643/2002 do CFM, agora vigente, a Telemedicina deveria ser utilizada como um recurso de médico para médico: daquele que assiste o paciente ao médico consultor.

A Telemedicina é uma prática legal?

Vale esclarecer que não há ilegalidade na Telemedicina, ainda que haja um médico e um paciente em cada ponta, embora tal relação ainda esteja à espera dessa regulamentação que está sendo preparada pelo Conselho Federal de Medicina.

Fato é que todos os envolvidos, porém, apresentam responsabilidade  solidária e proporcional para a eventualidade de algum dano ao paciente.

Ademais questões como direito à privacidade garantia da inviolabilidade das informações, confidencialidade, tratamento de dados pessoais, registro das informações dos pacientes, dentre outras, são extremamente relevantes e não podem ser desprezadas nesta discussão entre disrupção digital, Telemedicina e legislação correlata. 

É necessário ampliar a regulamentação para situações presentes no cotidiano e que estão ocorrendo à margem de protocolos rígidos. 

A Telemedicina é uma realidade há muito tempo presente em outros países.

A ferramenta (em um conceito amplo) é utilizada em hospitais e planos de saúde de outros países do mundo como, por exemplo, EUA, Austrália e Inglaterra, especialmente para a Teletriagem, o que traz uma grande redução de custos no atendimento e experiência positiva ao cidadão que não precisa se deslocar horas para ter sua consulta, em casos de baixa complexidade.

No Brasil, o ganho para os pacientes, em especial do SUS, representará a ampliação ao acesso — desejo de todo  gestor público. Impossível obstar a realidade da interferência tecnológica nas relações sociais.

Prova de que os órgãos Reguladores reconheceram a importância da incorporação da tecnologia no atendimento à distância está na recente notícia de que a Anvisa se manifestou favoravelmente à utilização de assinatura digital nos receituários médicos, desde que no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPB).

Enfim, sempre o que sobrevive, a qualquer tempo, é aquele que se adapta às mudanças. É a hora!

Tem alguma dúvida sobre como a Telemedicina funciona? Comente aqui embaixo para que possamos solucioná-la, e não se esqueça de compartilhar o conteúdo com outros profissionais de saúde.


Sobre o autor

Dra. Sandra Franco

Advogada especialista em Direito Médico, da Saúde e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).