Dr. Google: como lidar com pacientes que confiam demais no diagnóstico da internet

Dr. Google: como lidar com pacientes que confiam demais no diagnóstico da internet

Felipe Lourenço Tecnologia na Saúde

Leia em 3 min.

Última atualização em 17/06/2021 por Yasmim Mayumi

Pessoas sentem algo de errado com o corpo, procuram o sintoma na internet e fazem um autodiagnóstico por meio dos resultados encontrados. Essa situação é cada vez mais comum, entretanto, as consultas feitas com o “Dr. Google” parecem inocentes, mas podem causar riscos à saúde, como por exemplo, ignorar uma doença grave ou causar pânico à toa.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa analisou mais de mil vídeos sobre insuficiência cardíaca, hipertensão e arritmias na internet, e chegou ao resultado: 95% desses vídeos contém informações erradas.

Antigamente, por falta de conhecimento, as pessoas confiavam mais em suas receitas de cura caseiras que foram passando de geração para geração. Hoje, o excesso de informação que atrapalha e gera ainda mais dúvidas nos pacientes.

Não estranhe se um dia acontecer com você: durante a consulta com o paciente, dar um diagnóstico e observar a desconfiança dele.

Muitas vezes, os pacientes acreditam já ter se autodiagnosticado em casa por meio de informações que encontram na internet e vão a um consultório médico apenas em busca de uma confirmação do que já acreditam ser a verdade.

Nestes casos, quando o médico os contradiz, a desconfiança e a dúvida vêm à tona.

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Dr. Google

Atualmente é muito fácil encontrar informações e com a popularização de smartphones e computadores, os pacientes recorrem a pesquisas na internet para tirar dúvidas sobre sua saúde. Foi cunhado até o termo “Dr. Google” para definir essa pesquisa em sites de busca da internet para autodiagnóstico.

dr google paciente

Como lidar com esse paciente?

Mas o que fazer se o paciente não acredita na opinião do profissional e insiste em confiar mais no que leu na internet?

Nesses momentos, é importante transmitir confiança.

É importante conhecer as ferramentas disponíveis na internet e indicar as mais adequadas para os pacientes.

Desde grupos de apoio, fóruns de discussão sobre a doença que o paciente foi diagnosticado e até material científico que ele pode consultar para saciar sua curiosidade.

Por exemplo, a internet pode ser utilizada para conhecer pessoas passando pela mesma situação e trocar experiências. Hoje em dia existem plataformas que reúnem pacientes para trocar experiências sobre suas situações de saúde, como o Patients Like Me.

O médico pode mostrar que, se usada corretamente, a internet pode ajudar o paciente a entender o seu quadro, controlar sua ansiedade, dúvidas e expectativas.

Tenha paciência para explicar que não há problema em fazer pesquisas na internet, desde que seja de maneira responsável, sempre se certificando sobre quem é a fonte da informação e buscando referências confiáveis.

Além disso, deve-se frisar que nem sempre o diagnóstico que leu na internet e que se quer ouvir é o correto.

Deixe bem claro que somente um profissional de saúde está capacitado para analisar o problema do paciente, contextualizar os sintomas de acordo com seu estilo de vida, pode pedir exames extras, analisar as queixas e ter conhecimento técnico sobre o assunto.

Apesar da internet conter muita informação, só um profissional da área pode transformar esses conhecimentos em ações práticas e tratamentos eficientes adequados para cada paciente.

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Sobre o autor

Felipe Lourenço

Fundador da iClinic, empresa de software médico em nuvem líder na América Latina. Graduado em Informática Médica pela Universidade de São Paulo (USP), especialista de Tecnologia em Gestão em Saúde, com passagens pelo mercado europeu e pelo Vale do Silício, possui mais de dez anos de experiência no setor.