Quais são os mitos e as verdades da receita digital?

Quais são os mitos e as verdades da receita digital?

Rafael Moraes Ferramentas para Clínica Leave a Comment

Última atualização em

Leia em 4 min.

A pandemia e a regulamentação da Telemedicina colocaram em evidência a receita médica digital. O que talvez aconteceria em cinco anos, tomou corpo e se consolidou em apenas dois meses. Porém, ainda existem alguns mitos em relação à receita digital e até mesmo à sua autenticidade.

A receita digital, embora por conta da pandemia tenha conquistado importância no dia a dia de médicos, caído no gosto dos pacientes e esteja sendo discutida por entidades governamentais e em destaque na imprensa não é uma novidade, especialmente no cenário internacional.

Na Dinamarca, ela existe desde a década de 1990. Portugal e Espanha também já prescrevem digitalmente há algum tempo. 

Nos Estados Unidos, a prescrição eletrônica foi criada em 2001, legalizada em todos os 50 estados em 2007 e, desde 2008, o DEA (Drug Enforcement Agency) autoriza receitar digitalmente substâncias controladas.

Um cenário diferente do Brasil. Embora desde 2012 já tenhamos tecnologias disponíveis, diversos fatores atravancam sua adoção até então. 

Isso porque ainda existem alguns paradigmas, que acabam deixando médicos, pacientes e drogarias com dúvidas a respeito dessa poderosa ferramenta.

Mas, o que é mito e o que é verdade sobre a receita digital?

1. A receita digital veio para ficar

Verdade.  A pandemia mostrou que quando se trata de saúde, não podemos perder tempo. O volume de prescrições digitais cresceu é fato.  Acelerou-se um processo irreversível e estamos cada vez mais próximos, finalmente, da digitalização da saúde.

Mas, o objetivo da prescrição digital é tornar mais fácil a vida do médico, permitindo que ele possa fazer suas receitas de maneira segura, ágil e também facilitar a vida do paciente e a do farmacêutico. 

Ou seja, criar um ecossistema digital de saúde completo, de ponta a ponta. Por isso, ela veio para ficar. 

2. A receita digital é mais segura para médicos e pacientes

Verdade.  Além de acabar com a famosa questão da “letra de médico” e a ilegibilidade das receitas, ela diminui as chances de fraudes. 

Clonar dados pessoais de médicos para utilizar o nome, o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) e criar um carimbo falso são problemas recorrentes em prescrições de receitas médicas em farmácias e drogarias.

A receita digital só tem validade com a assinatura eletrônica no padrão ICP-Brasil e com um QR Code. Ela segue todos os padrões e orientações do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Ou seja, tem por detrás do seu desenvolvimento aspectos que visam garantir tanto a segurança do paciente, do ponto de vista de sua saúde, como da privacidade de dados.

Usando a tecnologia, no momento da prescrição, o médico pode contar com recursos extras para apoio, como uma base de dados de medicamentos e exames, que aliada às ferramentas de apoio à decisão clínica, auxilia os médicos a tomarem suas condutas. 

É possível saber quando um medicamento interage com outro, por exemplo, ou até quando o paciente tem alergia a algum princípio ativo do medicamento receitado – tudo em tempo real.

Receita digital da Memed

3. Uma foto de uma receita manuscrita é válida

Mito. Quando falamos de receita médica digital não estamos falando de tirar uma foto ou escanear uma receita manuscrita e enviá-la para a farmácia. Isso na verdade, seria  criar uma “receita digitalizada”, que é diferente de uma “receita digital”. 

A receita digital é um arquivo de texto, em formato PDF com uma assinatura digital de um médico com CRM ativo (essa assinatura é realizada por meio de uma certificação digital no padrão ICP-Brasil).

4. Os dados dos pacientes e as informações das prescrições são comercializados com a indústria farmacêutica

Mito. As plataformas de prescrição eletrônica devem operar em total conformidade com todas as regulamentações previstas sobre segurança e privacidade de dados.

É preciso que o provedor de tecnologia escolhido respeite todas as boas práticas e orientações quanto ao armazenamento e tráfego dos dados estabelecidas pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados – equivalente a GDPR internacional) que determina ações como:

  • Due diligence sobre dados pessoais;
  • Gestão do consentimento e anonimização dos dados
  • Auditoria sobre o tratamento;
  • Governança do tratamento;
  • Planos de comunicação (incidente de segurança);
  • Validação do término do tratamento, entre outros.

5. Somente grandes redes de drogarias aceitam a receita digital

Mito. A adesão à receita digital não é uma exclusividade das grandes redes detentoras das principais bandeiras de farmácias do Brasil, abrange também as chamadas redes independentes. 

Mais de 22 mil drogarias em todo país, de diferentes bandeiras, já usam gratuitamente a plataforma da Memed, por exemplo.  

Essa capilaridade garante liberdade para o paciente escolher o lugar de sua preferência para comprar os medicamentos receitados pelo seu médico. 

6. A receita digital ajuda a reduzir custos

Verdade. Ao contrário do que muitos pensam a receita digital não encarece os custos nas clínicas. Organizar-se para ir à gráfica e fazer todo seu receituário além de mais trabalhoso, pode sair mais caro do que emitir suas receitas em formato digital.  

Em um ano, se gasta em média, R$ 500 para realizar o receituário do seu consultório/clínica em papel. 

O único custo envolvido, quando se opta por uma plataforma de prescrição gratuita, é com a certificação digital, com custo anual médio de R$ 75, dependendo da certificadora escolhida.

Conseguiu desvendar os principais mitos e verdades sobre a receita digital? Ficou surpreso com algum fato do conteúdo? Compartilhe sua opinião aqui embaixo nos comentários!


Sobre o autor

Rafael Moraes

Rafael Moraes possui formação médica e especialização nas áreas de clínica médica e dermatologia, e é CMIO da Memed, empresa de prescrição eletrônica para médicos.