fatores que influenciam tomada de decisão médica

Conheça 5 fatores que influenciam a tomada de decisão médica

Ronaldo Gismondi Gestão da Clínica

Leia em 5 min.

Última atualização em 09/05/2022 por Yasmim Mayumi

A tomada de decisão médica envolve uma série de fatores que devem ser levados em consideração por qualquer profissional de saúde, como dados clínicos, singularidades dos pacientes e atualização da educação médica.

Subir de escada ou elevador? Atravessar ou não a rua? Uma pitada a mais de sal? Pular ou assistir o próximo stories? 

De acordo com o The Wall Street Journal, ao longo de um dia, uma pessoa adulta toma cerca de 35 mil decisões.

Sejam decisões subconscientes ou não, triviais ou de grande relevância, somos obrigados a decidir constantemente. Além de exaustivo, nos casos nos quais há alto risco envolvido, isso pode ser extremamente desafiador.

Na relação entre médico e paciente, por exemplo, é fundamental saber tomar as decisões certas e poder contar com as ferramentas adequadas para que as escolhas sejam sempre assertivas e eficazes.

Isso porque, para estar na posição de tomar uma decisão num atendimento clínico, o médico precisa que antes o paciente tenha decidido consultá-lo.

Seja por rotina, por histórico na família, por motivos supérfluos ou por estar desconfiado de algum problema, a decisão do paciente demonstra confiança na decisão que o médico tomará por ele.

Continue a leitura e descubra quais fatores irão te ajudar nesse momento tão importante!

5 principais fatores na tomada de decisão médica

Para te ajudar a compreender a complexidade envolvida na tomada de decisão médica, listamos 5 fatores que influenciam nas escolhas feitas por esses profissionais e que impactam a saúde de toda a população.

1. Dados clínicos

Se tratando de um novo paciente, é durante o levantamento das informações clínicas que o médico passa a conhecer aquela pessoa e aciona as primeiras engrenagens de seu processo decisório.

Nessa etapa, idealmente, o profissional realiza a anamnese, fazendo uma série de perguntas investigativas sobre a vida e o histórico do paciente. 

Assim, consegue ter um bom panorama do seu quadro clínico e vislumbrar que tipo de situação estará enfrentando.

O prontuário eletrônico é uma ferramenta essencial nesta etapa, pois permite que o profissional tenha um histórico completo e não se esqueça de nenhum detalhe, devido a sua anamnese personalizada.

Com a informação de que o paciente tem, digamos, alguma comorbidade, o médico pode usar a seu favor a epidemiologia dessa doença para inferir possíveis desdobramentos sobre o que fazer ou não.

Dessa forma, consegue também determinar os marcadores de gravidade envolvidos naquele contexto.

Ainda na etapa de obtenção dos dados, o médico deve realizar o exame físico e observar os fatores de risco, para que essas informações complementem seu conhecimento e o ajude a tomar as melhores decisões.

2. Abordagem diagnóstica

Parte decisiva para resolução do médico, a abordagem diagnóstica é consequência da reunião dos dados clínicos e costuma ser apoiada pela realização de exames específicos, que saneiam dúvidas.

Os exames laboratoriais, por exemplo, indicam taxas que regulam o funcionamento do corpo humano e que, a partir de valores de referência, servem para apontar se algo está errado ou não.

Já os exames de imagem, como ultrassonografias, tomografias e radiografias, também dão importantes dicas para a tomada de decisão médica. 

Por meio dos “achados” nas imagens, os profissionais obtêm laudos que sugerem ou não existência de determinado problema.

Além desses, existem exames complementares, como uma endoscopia ou um ecocardiograma, realizados com o mesmo propósito, em prol de uma melhor abordagem do médico encarregado de propor um tratamento.

Com toda a investigação acima, o médico consegue fazer o chamado diagnóstico diferencial (excluindo possibilidades parecidas) e estabelecer critérios diagnósticos, que indicarão em que medida ele deverá agir.

3. Indicação terapêutica

Nesse momento, após montar o quebra-cabeça apresentado por seu paciente, tendo tomado já uma série de decisões na investigação dos dados clínicos e na abordagem diagnóstica, o médico precisa oferecer ao doente uma indicação terapêutica que o ajudará a resolver seu problema de saúde ou ao menos amenizá-lo.

Aqui, em geral, inicia-se a etapa da prescrição hospitalar ou ambulatorial, na qual o médico deve informar a medicação a ser usada, tempo de tratamento adequado, posologia e via de administração corretas do remédio, entre outras informações — cada uma delas sendo uma decisão diferente a ser tomada.

O profissional também precisa decidir-se entre uma abordagem conservadora, na qual tenta evitar algo mais radical e propõe algum tipo de acompanhamento ao paciente, ou uma abordagem cirúrgica, na qual é preciso de fato partir para uma internação e medidas mais extremas.

4. Condições socioeconômicas

Todas as decisões tomadas nas etapas anteriores estão atreladas às condições sociais e econômicas de quem está recebendo o tratamento.

Pouco adiantaria, por exemplo, o médico sugerir um exame que fuja ao poder aquisitivo do paciente. Ou propor uma abordagem terapêutica com uma medicação que não seja mais fabricada no país.

Essas informações, que variam de paciente para paciente, são obtidas ao longo da consulta e também levando em consideração o local de atendimento, recursos disponíveis, fornecimento de materiais, entre outros.

5. Atualização contínua

A medicina muda constantemente e os avanços científicos, hoje, permitem soluções que anos atrás eram impensáveis. 

Por isso, tanto médicos quanto outros profissionais da saúde precisam manter-se atualizados de forma contínua.

É preciso estar sempre em dia com as últimas atualizações, estudos, pesquisas, casos clínicos e diretrizes de órgãos reguladores, de modo que essas novidades se reflitam nas decisões tomadas cotidianamente.

Existem ferramentas de suporte ao médico em sua atualização contínua, como o Portal PEBMED, que publica notícias na área da saúde, realiza a cobertura de congressos, debate casos clínicos e divulga pesquisas.

Já para tomada de decisão, o aplicativo Whitebook é um excelente recurso com mais de 9 mil conteúdos de apoio ao médico, desde bulas de medicamentos até guias de prescrição, condutas e ferramentas clínicas, como calculadoras e fluxogramas.

Recentemente, a ferramenta ganhou uma nova categoria: Guia de USG à Beira-leito.

As difíceis escolhas do dia a dia se tornam rápidas e seguras com o aplicativo, que atualmente já é usado por um terço dos médicos no Brasil.

Como envolver o paciente na tomada de decisão médica?

Para se chegar a um diagnóstico e saber qual é o tratamento ideal, o médico vai ouvir as queixas do paciente e começar a investigar os dados clínicos fornecidos. A escuta é um passo muito importante no processo.

Através dela, o profissional vai saber mais um pouco sobre as dores, os sintomas, a rotina da pessoa, a alimentação, entre outros.

Segundo um texto publicado no Manual MSD:

“As decisões sobre cuidados médicos são tomadas de forma mais eficaz quando médicos e pacientes trabalham em conjunto. As melhores decisões, e as mais adequadas, são tomadas quando a experiência e o conhecimento do médico se combinam com os conhecimentos, desejos e valores do paciente.”

Em qual etapa começa o envolvimento do paciente?

Antes de passar o tratamento, o médico deve fornecer orientações para a melhora do quadro, e mostrar o quanto é importante a parceria entre ele e o paciente.

Em um caso no qual há resistência do paciente ao tratamento, o profissional terá que explicar calmamente os benefícios e os riscos da terapêutica (quando for um método invasivo), e também fornecer insumos para que o tratamento seja feito da melhor forma possível.

O paciente, por sua vez, deve tirar todas as dúvidas e saber se existem alternativas àquele tratamento proposto pelo médico, e pode até se recusar a fazê-lo.

Mas é importante que o profissional deixe tudo às claras, explicando os possíveis malefícios que a decisão da pessoa poderá acarretar.

De acordo matéria publicada no jornal O Globo, em 2017, a então presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, disse:

“Embora o profissional médico possua todo o conhecimento para conduzir da melhor forma possível o tratamento, o paciente pode e deve participar dessa tomada de decisão. Não se trata de ficar questionando o médico. É conversar com o profissional para saber se não há outras possibilidades (diante do tratamento apresentado), como fisioterapia em vez de uma cirurgia, por exemplo. Os pacientes devem buscar o máximo de informações sobre os procedimentos a que estão sendo submetidos.”

Qual é a sua experiência mais marcante sobre tomada de decisão médica e envolvimento do paciente? Compartilhe com a gente aqui embaixo nos comentários! 🙂


Sobre o autor

Ronaldo Gismondi

Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutor em Medicina pela UERJ, coordenador de Cardiologia do Niterói D’Or e editor-médico do Whitebook, maior app brasileiro para suporte à tomada de decisão médica.