Casos de Sucesso

Como ter sucesso na Pediatria: entrevista exclusiva com o Dr. Alexandre Miralha

Neste artigo entrevistamos o Dr. Alexandre Lopes Miralha, que tem feito uma grande contribuição pela Pediatria e Neonatologia no Brasil, seja por meio da prática médica e de suas aulas na universidade, seja por meio de sua participação na SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Ao longo da entrevista, ele fornece diversas dicas sobre como iniciar a carreira na Pediatria, como ser um melhor Pediatra e qual o segredo para garantir o acompanhamento de todo o trabalho realizado durante o crescimento do paciente e dessa forma entender o real resultado de seu trabalho.

Confira a entrevista:

Dr. Alexandre, de uma forma breve, quais foram as principais atividades feitas por você durante sua carreira como médico?

Sou formado pela Universidade do Estado do Pará, especialista em Pediatria e em Neonatologia. Além de Residência, fiz prova de especialista na área. Trabalho tanto na assistência quanto na docência na Universidade Federal do Amazonas. Sou o Coordenador do Curso de Medicina e Coordenador do Laboratório de Habilidades e Simulação Realística.

Fiz curso de especialização e docência na saúde, Coordeno e sou instrutor no Curso PALS no estado do Amazonas e instrutor do Curso de Reanimação Neonatal pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Também sou Membro do Departamento de Neonatologia da gestão atual da Sociedade Brasileira de Pediatria, da Profa. Luciana Rodrigues. Trabalho também em hospital privado, onde coordeno a UTI neonatal e pediátrica desde 2010. Por fim, também trabalho como preceptor da Residência Médica.

Qual foi a maior lição que você teve dentro da Pediatria e da Neonatologia?

Nós profissionais de saúde precisamos estar atualizados. Não apenas em relação ao que a gente faz, mas também no contexto da tecnologia, das novas metodologias e ferramentas de comunicação. Tudo isso agrega valor à nossa atuação.

O mundo mudou muito, e isso engloba a forma de se comunicar, de se relacionar. A própria medicina mudou, e se você não acompanha, você fica para trás. Você precisa estar a todo momento de olho nas novidades.

Hoje a velocidade com qual as informações chegam até a gente é muito rápida, e os ciclos também são muito rápidos, então aquilo que você tem a certeza hoje, amanhã já não é mais uma certeza.

Junto com isso, a pesquisa em todas as áreas (não só na área da saúde) têm mudado os paradigmas dessas relações sociais e de trabalho, inclusive no contato médico-paciente.

Hoje nós temos um paciente mais intelectualizado, mais informado. É um paciente que tem um networking maior, pois sabe usar as ferramentas e usá-las a seu favor.

Assim, você precisa estar muito seguro do que você está fazendo, e daquilo que você não tem certeza e não sabe. Por isso é muito importante trabalhar no campo da honestidade e sempre saber dizer “eu não sei e vou pesquisar”, mas sempre tendo que dar um retorno ao paciente. Não há demérito em fazer isso.

É muito pior dizer que sabe e o paciente perceber que você está enganando e leva à falta de confiança, e nosso papel é despertar confiança no paciente.

Você sente que a tecnologia veio ajudar a Pediatria? Em que pontos o profissional tem que se atentar ao usar a tecnologia?

Sim, veio para ajudar, sem dúvida nenhuma. No entanto, o profissional tem que ter muito cuidado com as questões éticas.

Com o uso de novas ferramentas e Redes Sociais, ele esbarra em muitas questões, como uma possível exposição do paciente, por isso ele sempre tem que estar ciente do código de ética médica, para entender até onde ele pode ir.

Todas as ferramentas, sejam elas quais forem, têm um teor muito bom, um teor educativo. Basta saber como usar. Jamais exponha um paciente.

Quer saber o que pode e o que não pode no relacionamento com o paciente por meio das redes sociais? Confira Aqui

Que dica você daria para o Pediatra que está entrando no mercado hoje?

Primeiro que ele se mantenha atualizado. O fato de você ter saído da Residência Médica não representa que você detém todas as habilidades, conhecimentos e técnicas.

Lógico que cada um de nós é melhor em determinada área, mas é muito importante entender que o mercado de trabalho deve ser visto de uma forma ampla.

Você não pode ficar restrito, você tem que diversificar no começo, e é claro que com o passar do tempo você pode ajustar o seu rumo, mas no início é preciso adquirir experiência, e na Pediatria é preciso saber atender todas as fases do crescimento de uma criança.

Isso envolve atender um recém-nascido, atender uma criança escolar, atender um adolescente, saber questões ambulatoriais, questões de emergência, algumas questões de terapia intensiva.

Ao diversificar o conhecimento, você depois entenderá melhor como seu trabalho afetará a criança no futuro, pois a criança é um contínuo. E é entendendo o todo que você consegue ver onde está acertando e onde pode melhorar.

Outro ponto é que a gente sempre busca a perfeição, mas as coisas nunca estarão perfeitas. Sempre existe espaço para melhorar. E aí, aprender a trabalhar em equipe é fundamental. Compartilhar saberes, conhecimentos e habilidades.

Todos somam na atividade de Pediatria: fisioterapia, nutrição, enfermagem, fonoaudiologia, psicologia, serviço social, entre outros. No hospital onde eu trabalho tem até Engenheiro Clínico.

Você tem uma gama de profissionais que têm um trabalho fundamental, que em conjunto só melhoram o desempenho da equipe. E não é pensar no “multidisciplinar” ou “interdisciplinar”, ela tem que ser “transdisciplinar”.

A gente tem que ir e voltar dentro das especialidades junto com os colegas, e todos têm que aprender um pouco do que o outro faz. Isso permite que cada profissional possa ir um pouco além do conhecimento. Já não existe mais o profissional da saúde que “sabe tudo”, essa realidade já acabou faz tempo.

Procure a medicina por querer fazer algo a mais, você precisa gostar de ajudar o outro. Isso não é sacerdócio, é tratar o outro bem. Apesar de medicina ser tratada como Ciências Biológicas, também tem muito de Ciências Humanas.

Deixe de olhar o paciente como sendo um diagnóstico, mas sim sendo algo maior, pois vários fatores impactam na saúde dele, como fatores psicológicos, físicos, entre outros.

Cuide da sua carreira em vários sentidos: no sentido de estudos, no sentido financeiro, no sentido de propósito e de ética.

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É muito importante que você se pergunte se você está feliz fazendo o que faz, se você quer ou pode fazer algo a mais. Esteja inquieto sempre, buscando sempre melhorar, de acordo com o avanço do mundo.

Por fim, construir uma reputação demora, mas para perder é muito fácil.

Para garantir essa visão do continuum do crescimento da criança, de que forma o Pediatra pode se organizar para ter essas informações de uma forma segura e sempre à disposição?

Acho que temos que fazer o que os americanos e outros países desenvolvidos já fazem. Eles registram tudo e fazem com que esses bancos de dados fiquem acessíveis a toda a equipe. Se eu tiver o sistema adequado de registro, eu consigo acessar todas as informações do paciente.

A gente sabe que isso existe no Brasil, em que o paciente tem um código de acompanhamento, e você consegue ver uma linha do tempo de tudo que foi feito com esse paciente.

Serviços privados de ponta no Brasil fazem uso de prontuários eletrônicos. E isso permite até que, se feito da forma correta, você possa usar para fazer pesquisas. Para isso, é preciso de um sistema de registro muito robusto, muito bem delineado.

Num consultório você consegue fazer isso. Você pode contratar um sistema de prontuário eletrônico e cadastrar o histórico do paciente. Mas isso deveria ser algo muito mais difundido, pois evita perda de tempo. Evita que o paciente refaça um exame, evita que se perca diagnósticos, entre outros.

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