Contabilidade para médicos: o que é e como fazer

Contabilidade para médicos: o que é e como fazer

Dra. Luciana Lessa Gestão da Clínica

Leia em 8 min.

Última atualização em 17/05/2022 por Yasmim Mayumi

A contabilidade para médicos é a área responsável pelos procedimentos fiscais relacionados às finanças da clínica, como imposto de renda, relatórios, adequação às leis vigentes, entre outros.

Um planejamento financeiro adequado é a chave para o sucesso de qualquer negócio, seja ele grande ou pequeno. A maioria das clínicas e consultórios médicos se enquadram na categoria das pequenas empresas.

O livro Empreendedorismo: Gestão Financeira para Micro e Pequenas Empresas, afirma que a maior parte das pequenas empresas não se organizam de maneira adequada, principalmente em relação às finanças.

“A administração financeira é o ofício do planejamento, da organização e da prevenção de riscos […]. Conhecimentos medianos de contabilidade, finanças e soluções de sistemas de gestão, podem resolver eficientemente a questão.”

Por isso, é essencial que os médicos gestores de clínicas e consultórios busquem conhecimento na área e sistemas de gestão de qualidade.

Neste artigo você vai aprender:

O que é a contabilidade para médicos?

A contabilidade é a área que tem como objeto de estudo o patrimônio das entidades, focando nos fatos econômicos-financeiros e quais são suas consequências.

Quando pensamos em um serviço de contabilidade, é uma pessoa ou equipe especializada que ficará responsável pelos procedimentos fiscais relacionados às finanças da clínica.

Cálculos de impostos, adequação às leis vigentes, obrigações legais, guias de impostos, imposto de renda, relatórios, todas essas atividades estão dentro da contabilidade.

Qual a importância da contabilidade para médicos?

Nenhum negócio é construído sem dinheiro. Para abrir uma clínica e poder cuidar dos seus pacientes da melhor forma, você precisa ter controle sobre suas finanças e almejar o lucro.

Entretanto, os cursos tradicionais de Medicina não costumam abordar matérias como gestão financeira e administração, o que dificulta para os médicos entenderem exatamente o que precisa ser feito.

Segundo o livro Finanças no Consultório, a maioria dos médicos não sabe quanto ganham, quanto gastam e quanto lhes sobram. Por isso, os orçamentos ficam, na maior parte do tempo, no vermelho.

“Muitos não sabem quanto lhes custa atender um paciente ou realizar um procedimento; não sabem se seus consultórios geram lucro ou prejuízo; não sabem se trabalham para manter o consultório ou se o consultório é que os mantêm.”

A conclusão do Dr. Francinaldo Lobato Gomes, neurocirurgião e autor do livro, é que os profissionais de saúde precisam de um conhecimento que vá além da Medicina tradicional, como gestão financeira, contabilidade e gestão.

“o profissional da saúde necessita de formas de controle financeiro cada vez mais eficientes, que permitam manter a lucratividade, a competitividade e a sustentabilidade, caso contrário há o risco de ser engolido no mercado.”

Ou seja, a contabilidade é importante para os médicos que querem abrir suas próprias clínicas ou já possuem uma e ainda não controlam suas finanças.

Assista nosso vídeo para aprender mais sobre o papel do controle financeiro na sua clínica:

Quais são os meios de atuação para médicos?

1. Autônomo

Os médicos que optam por atuar como profissionais autônomos (sem o vínculo empregatício do profissional CLT) ainda têm os valores de impostos descontados pelo contratante.

São eles:

  • ISS: imposto sobre serviço que é retido quando o prestador de serviço não é cadastrado na prefeitura da cidade. As regras variam de acordo com o município, com alíquota de 2 a 5%;
  • INSS: contribuição previdenciária com alíquotas de 8 a 11%, com valor máximo de R$ 642,34 por mês;
  • IRRF: imposto de renda retido na fonte com alíquota de 0 a 27,5%, sem limite máximo.

Veja nossa tabela de IRRF para entender melhor as alíquotas:

Tabela IRPF para médicos

O contratante é responsável por realizar a emissão do Recibo de Pagamento de Autônomos para que os valores devidos sejam recolhidos.

O maior benefício de atuar como autônomo é ter a liberdade de escolher onde e quando trabalhar, porque diferente de um profissional CLT, você não é obrigado a cumprir horários.

2. Pessoa Jurídica (PJ)

Os médicos que atuam como PJs recolhem seus próprios impostos de acordo com o enquadramento da empresa, mas costumam ter um lucro maior que os demais profissionais.

Supondo que a clínica seja uma Simples Nacional, a mais comum entre a categoria, os impostos são:

  • DAS: imposto que incide sobre o faturamento total da empresa e as alíquotas iniciam em 6%;
  • INSS: previdência que é recolhida sobre o valor pró-labore do sócio (remuneração pelo trabalho do sócio/fundador da empresa), com alíquota de 11%;
  • IRRF: imposto que pode incidir sobre o pró-labore do sócio, seguindo a tabela do IRPF como mostra abaixo.

Tabela IRPF: contabilidade para médicos

No Lucro Real, a alíquota do Imposto de Renda é 15% sobre o lucro real total da empresa. Caso o lucro mensal ultrapasse R$ 20.000,00, há um adicional de 10% sobre o valor excedido.

Para empresas de Lucro Presumido, o lucro tributável sobre o faturamento presumido pode variar de 1,6 a 32% do faturamento, além da alíquota de 15% do Imposto de Renda.

Caso o lucro trimestral seja superior a R$ 60.000,00, há uma alíquota de 15% adicional. É possível conferir as tabelas no site da própria Receita federal.

A modalidade de Pessoa Jurídica costuma ser escolhida pelos médicos que querem ter uma empresa no nome, como uma clínica, na qual o profissional tem a liberdade de personalizar e criar sua marca.

3. CLT

Os médicos que atuam como CLT em instituições, como hospitais, clínicas ou consultórios, possuem direitos trabalhistas como salário mínimo, férias, limite de horas de trabalho, licença-maternidade, aviso prévio, entre outros.

Os impostos obrigatórios da CLT também são vistos nos outros meios de atuação, como o INSS e IRPF. Veja abaixo a tabela do INSS:

Tabela do INSS para médicos

Enquanto o INSS tem um valor máximo que pode ser atingido, o IRPF não. Ou seja, quanto maior for o salário, maior é o desconto do IRPF progressivamente.

Também é importante ficar atento aos demais descontos que podem estar em seu holerite (comprovante de pagamento), porque eles variam de acordo com a empresa, cidade e estado. 

3 tipos de empresas que os médicos podem abrir

Existem três categorias de empresas que os médicos podem optar ao abrirem suas clínicas. 

  • Microempresa (ME): negócios com limite de faturamento anual de R$ 360 mil com até 9 funcionários;
  • Empresa de Pequeno Porte (EPP): o limite de faturamento anual é de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões e o limite de funcionários é de 10 a 49 colaboradores;
  • Empresas de Médio Porte: sem um faturamento anual limite específico, mas só pode ter de 50 a 99 funcionários.

Independentemente de qual categoria sua clínica se encaixe, também há três regimes tributários que você pode optar.

  • Simples Nacional: por ser um regime tributário feito para atender microempresas e empresas de pequeno porte, as clínicas médicas costumam se enquadrar na Simples Nacional, que facilita o recolhimento de impostos para empreendedores e todos os tributos são recolhidos em uma única guia;
  • Lucro Presumido: a base do cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é feito com base em uma tabela fixa de presunção para tributação. Ou seja, se a clínica tiver um lucro menor do que o esperado, o valor do imposto não mudará e você pagará menos, mas caso a clínica ganhe menos do que o esperado, o valor também não será alterado;
  • Lucro Real: o cálculo do IRPJ e do CSLL é feito com base no lucro efetivo da empresa. Quanto maior o lucro, maior o imposto, mas caso haja prejuízo financeiro da empresa no período de apuração, ela poderá ser dispensada do pagamento de impostos.

Qual a melhor opção para o médico pagar menos imposto?

Não há uma fórmula exata para descobrir o melhor tipo de empresa para todos os médicos, porque cada caso tem suas singularidades que podem ser avaliadas por especialistas como contadores e consultores.

Entretanto, é mais comum que os médicos optem pelo Simples Nacional (limite de faturamento de R$ 15 mil a R$ 20 mil) e o Lucro Presumido.

Também é necessário pensar sobre a natureza jurídica que você e seus sócios, caso tenham, escolherão. Cada uma tem regras específicas que devem ser seguidas de acordo com a lei.

  • Sociedade de Médicos e Profissionais de Saúde
  • Empresário Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI)
  • Sociedade Unipessoal Limitada (SLU).

Esse processo costuma ser complexo para quem não é um especialista da área, por isso, não hesite em contar com a ajuda de um contador que está acostumado a atender médicos!

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5 dicas de como fazer a contabilidade para médicos

1. Registre diariamente seu fluxo de caixa

O fluxo de caixa registra todas as suas entradas e saídas financeiras. Pagamentos de consultas, salário de funcionários, compra de materiais, aluguel, tudo deve ser registrado!

O ideal é ter um software médico com essa ferramenta, para que todos os cálculos sejam feitos automaticamente sem erros que podem ser comuns no papel ou em planilhas.

Ao usar constantemente o fluxo de caixa, você terá uma previsão financeira dos seus próximos meses e entenderá se está pagando suas contas nos melhores dias, se seu caixa estará no vermelho, entre outros dados.

2. Separe suas finanças pessoais das profissionais

Um erro comum que muitos médicos cometem é registrar as contas pessoais junto com as contas da clínica, por pensarem que ao serem os donos, todas as contas estão relacionadas.

Porém, ao misturar suas despesas pessoais com as da clínica, você não saberá quanto realmente está gastando e se sua clínica está gerando o lucro que deveria.

Por isso, é essencial que você calcule seu pró-labore (quanto deverá receber por ser médico e gestor da clínica), ao invés de colocar tudo em uma única conta.

3. Estude sobre gestão financeira

Você já deu o primeiro passo ao ler este artigo, mas é essencial que você busque ter um conhecimento básico sobre tudo que precisa para gerir bem seu negócio.

O ideal é buscar um curso de finanças para médicos feito com o apoio de um profissional que já passou pelos mesmos desafios que você. O curso da iClinic, por exemplo, foi feito pelo mesmo autor citado no início do artigo:

Curso Finanças para Médicos: conquiste a independência financeira que você sempre sonhou!

4. Conte com a ajuda de especialistas

Como você deve ter percebido, toda a parte burocrática da gestão financeira, como regime tributário, cálculo de impostos, declaração de imposto de renda para médicos, podem ser complexos quando não temos experiência na área.

Se você não quer perder tempo realizando esse trabalho e prefere focar nos pacientes, ou até mesmo ter mais tempo para sua família, não hesite em contratar um contador de confiança ou uma empresa de contabilidade.

5. Tenha um software de gestão para clínicas e consultórios

Qualquer especialista vai confirmar: ao ter um sistema completo para as finanças da sua clínica, fica mais fácil realizar os processos burocráticos e ter mais lucro.

Antigamente, como os médicos dependiam apenas do papel, era difícil ter análises profundas sobre como e quando investir, como ter mais lucro sem gastar mais do que o necessário, entre outros resultados.

Porém, com um sistema que realiza relatórios financeiros automáticos, você não precisa perder tempo com processos manuais e repetitivos.

Além disso, um software médico conta com outras ferramentas que auxiliam na sua prática, como prontuário eletrônico, agenda médica, Teleconsulta, marketing médico, geração de guias de consulta TISS e muito mais.

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Neste artigo você aprendeu o que é contabilidade para médicos, qual a sua importância e como colocá-la em prática. Não se esqueça de compartilhar com seus colegas! 🙂


Sobre o autor

Dra. Luciana Lessa

COO da Medicinae Solutions, a única plataforma de antecipação de faturas médicas do Brasil. Graduada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Cirurgiã Geral, MBA de Executivo em Saúde pela FGV, Health Management pela UPENN, Design Thinking na D.School - Stanford, possui mais de quinze anos de experiência no setor.