Prescrição médica: saiba o que é e como fazer

Prescrição médica: saiba o que é e como fazer

Yasmim Mayumi Ferramentas para Clínica

Leia em 6 min.

Última atualização em 25/05/2022 por Yasmim Mayumi

A prescrição médica é um documento que impacta diretamente no engajamento do paciente com o tratamento. Ela deve reunir as principais informações relacionadas aos medicamentos que devem ser tomados.

Ter cuidado, atenção e olhar crítico no momento de prescrever medicamentos é imprescindível para qualquer médico.

Segundo um estudo sobre erros de prescrição em um hospital brasileiro afirma que, nos Estados Unidos:

“Estima-se que, anualmente, morrem de 44.000 a 98.000 pessoas por danos decorrentes de erros e, destes, cerca de 7.000 mortes podem ser atribuídas a erros de medicação.”

Para evitar essas situações, é preciso entender o que é a prescrição, como fazê-la e quais medidas tomar para que ela seja recebida pelo paciente da melhor maneira possível.

Neste artigo você vai aprender:

O que é prescrição médica?

A prescrição médica é um documento que lista os medicamentos que o paciente deve tomar durante seu tratamento junto com as orientações de uso (quantidade, horários, entre outras recomendações).

O ideal é que, ao prescrever medicamentos, o médico considere aspectos que impactam diretamente no engajamento do paciente, como eficácia, comodidade, segurança e custo financeiro

Um paciente que está com orçamento “apertado” em determinado mês, por exemplo, pode preferir uma prescrição com mais medicamentos genéricos, mas que ainda têm alta qualidade para seu tratamento.

Quais são os passos para fazer uma prescrição médica?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda estes passos para assegurar o sucesso da prescrição:

  1. Identificar o problema do paciente;
  2. Definir o objetivo terapêutico;
  3. Alinhar o tratamento aos aspectos individuais do paciente (custo, segurança, praticidade, eficácia);
  4. Garantir uma prescrição legível, clara e com todas as orientações necessárias;
  5. Descrever as instruções de uso, possíveis efeitos colaterais e avisos;
  6. Monitorar o engajamento do paciente no tratamento;
  7. Acompanhar os resultados.

A médica dermatologista Paula Yume Sato também levanta outros pontos que devem ser considerados no momento da prescrição, independentemente da especialidade.

O paciente pode não se adaptar ao medicamento prescrito, seja por um efeito colateral desconfortável ou custo elevado. É importante enfatizar ao paciente que é possível adequar a prescrição ao longo do tratamento.

Portanto, testar marcas diferentes, orientadas pelo profissional médico, para achar a que melhor se adapta é o ideal. Ninguém gosta de gastar dinheiro na farmácia e depois ter que se desfazer de produtos porque não se adaptaram.

Quais são os tipos de prescrição médica?

1. Receita simples

Prescrição para medicamentos anódinos e de tarja vermelha.

2. Receita de controle especial

Prescrição para medicamentos de tarja vermelha (substâncias sujeitas a controle especial, retinóicas de uso tópico, imunossupressoras e antirretrovirais, anabolizantes, antidepressivos, entre outros).

3. Receita amarela ou receita A

Impressa com padrão de cor amarela, para prescrição de psicotrópicos e entorpecentes.

3. Receita azul ou receita B

Impressa com padrão de cor azul, para prescrição de medicamentos com substâncias psicotrópicas.

5. Receita renovável

Modelo criado exclusivamente para oferecer mais praticidade para pacientes que usam medicamentos recorrentes, como aqueles com doenças crônicas. Não há necessidade de voltar à instituição para uma ter uma nova receita.

Prescrição médica eletrônica

O que deve constar na prescrição médica?

1. Informações obrigatórias em qualquer tipo de receita

Alguns dados, independentemente de qual tipo de prescrição seja, devem obrigatoriamente estar na receita. Veja quais são eles: 

  • Identificação do tipo de receita;
  • Data;
  • Individualidade;
  • Via de administração (parenteral, sublingual, oral);
  • Fármaco (nome); 
  • Posologia e forma de apresentação; 
  • Tempo de uso
  • Indicação (instruções de cuidado com o medicamento); 
  • Advertências; 
  • Efeitos colaterais principais.

2. Cabeçalho

O cabeçalho (parte superior da receita) deve ter o nome da clínica, de preferência com um meio de contato como telefone ou e-mail. Também é possível adicionar o logo da clínica, caso exista.

3. Identificação do paciente e do médico

Tanto o paciente quanto o médico devem estar identificados na receita. 

O paciente deve ter seu nome, idade, endereço e documento de identificação registrados, enquanto o médico deve registrar sua assinatura e número da inscrição.

No caso da prescrição de papel, a assinatura do médico será escrita à mão, enquanto na prescrição eletrônica, o profissional conta com a assinatura digital, que garante a mesma validade jurídica.

4. Data de emissão

Mesmo que a receita não tenha uma validade especificada, como no caso da receita renovável, é fundamental registrar a data da prescrição, tanto para documentação médica quanto para histórico do paciente.

Prescrição eletrônica: o que é e quais são suas vantagens?

A prescrição eletrônica é a versão digital da prescrição de papel. Ela costuma ser utilizada dentro de um sistema que inclui outras ferramentas, como prontuário eletrônico, Teleconsulta, agenda online, entre outros.

Essa inovação é cada vez mais utilizada devido às suas inúmeras vantagens, como eliminar o problema da letra ilegível, padronizar o layout das receitas da clínica, envio por WhatsApp e e-mail para o paciente e aumento da segurança.

Segundo um estudo realizado em um hospital universitário:

“O Instituto de Medicina dos EUA afirma que a prescrição médica eletrônica irá contribuir na redução dos custos no cuidado à saúde e manter a qualidade do trabalho, proporcionando aos médicos e profissionais informações mais precisas.”

Como a prescrição costuma estar dentro de um prontuário eletrônico, o profissional responsável pelo paciente pode compartilhar o acesso com a equipe clínica, o que auxilia na centralização dos dados e discussões.

Conteúdo VIP: Guia DEFINITIVO para escolher um prontuário eletrônico

Dúvidas frequentes sobre prescrição médica

1. Quais são os erros mais comuns das prescrições médicas?

Os erros mais comuns encontrados nas prescrições referem-se principalmente ao ato de escrevê-las à mão. Veja quais são elas a seguir:

  • Letra ilegível;
  • Ausência de identificação do registro no CRM;
  • Rasuras, rabiscos;
  • Ausência da data de validade, quando necessário;
  • Omissão da dose na prescrição;
  • Orientação errada do horário de administração.

2. O médico pode prescrever sem realizar o exame físico no paciente?

O médico não deve prescrever medicamentos sem realizar uma consulta com o paciente. Entretanto, esse atendimento pode ser feito por Telemedicina, quando não há necessidade de exame físico.

No caso das consultas a distância, feitas de forma legal e ética, não há problema em prescrever sem ter realizado um exame físico.

3. Apenas médicos podem prescrever?

Não, cirurgiões-dentistas também podem prescrever fármacos indicados para a odontologia (analgésicos, antissépticos, anti-inflamatórios), por exemplo. 

Em casos de emergência e urgência, tanto a prescrição quanto a aplicação são regulamentadas.

4. O que são as tarjas dos medicamentos?

Uma dúvida recorrente entre os pacientes é o porquê de algumas receitas serem mais “complicadas” de serem aceitas nas farmácias do que outras. Você pode explicar essa questão com as descrições abaixo. 

  • Venda livre: medicamentos que não exigem receita médica, são isentos de prescrição;
  • Tarja amarela: fármacos genéricos, marcados com um “G”;
  • Tarja vermelha: medicamentos que só podem ser vendidos quando a receita é apresentada no ato da compra, separados em retenção de receita (é preciso deixar uma das vias na farmácia) e sem retenção da receita (a receita é mostrada apenas para autorizar a compra);
  • Tarja preta: medicamentos que trazem mais riscos à saúde do paciente, pois contêm substâncias que afetam o sistema nervoso central, indicados para doenças como depressão.

Ou seja, cada tarja vai referenciar o nível de cuidado e atenção que cada prescrição deve ter, tanto por parte dos médicos e farmacêuticos, quanto pelos pacientes.

5. Que tipos de medicamentos podem ser prescritos?

Qualquer medicamento, para ser prescrito e comercializado, deve ter a aprovação da ANVISA. Entre as principais categorias, podemos citar:

  • Medicamentos de referência e inovadores: fármacos registrados como inovação pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual). Quando um medicamento de referência recebe uma proteção patentária, temporariamente ele não pode ser copiado por outras empresas;
  • Medicamentos genéricos: são os medicamentos produzidos após a proteção patentária acabar. Ele passa por um controle de qualidade antes de ser comercializado, logo, a ideia é que eles funcionem da mesma forma que os medicamentos de referência;
  • Medicamentos similares: contêm os mesmos princípios ativos, concentração e forma farmacêutica dos medicamentos de referência, mas o prazo de validade costuma ser bem menor, e a embalagem e rotulagem sempre identificam o nome comercial ou marca.

6. É obrigatório ter carimbo na prescrição?

O carimbo não é obrigatório de acordo com o CFM e a ANVISA, desde que o médico consiga escrever de forma legível seu nome completo e número do CRM. Apenas a assinatura já basta para que a prescrição tenha validade.

Porém, lembre-se que o carimbo é obrigatório para o recebimento do talonário para prescrição de medicamentos e substâncias entorpecentes e psicotrópicos.

Caso o médico prefira o carimbo, é necessário ter a data, assinatura, endereço da clínica e número de inscrição no CRM.

Neste artigo você aprendeu o que é a prescrição médica, principais tipos, informações obrigatórias, dúvidas frequentes e o que é a prescrição eletrônica. 

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Sobre o autor

Yasmim Mayumi

Especialista em Marketing de Conteúdo, atua como analista de conteúdo há mais de 3 anos na iClinic. Graduanda em Letras - Licenciatura em Inglês e Português na Barão de Mauá em Ribeirão Preto.